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Quem é que vence hoje?

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Um leão irritou-se com um pernilongo que zumbia ao redor de sua cabeça. O inseto não lhe dava a mínima, e com segurança voou até o focinho  do leão, deu-lhe uma picada ardida e declarou:

- Você acha que tenho medo por você ser o rei dos animais?

Indignado e ofendido, o leão virou uma patada em seu fucinho. Resultado: arranhou-se com as próprias garras.

O pernilongo continuou picando o felino, que depois de um tempo, já exausto, enfurecido e coberto de arranhões de seus dentes e garras, rendeu-se.

O inseto saiu vitorioso e contando a todos que havia derrotado o poderoso leão.  Não demorou muito para se embaraçar numa teia e ser devorado por uma aranha menor do que ele.

Moral da história: “Os fracos desejam vencer os fortes e poderosos.  Isto foi a regra por séculos e séculos. Mas nos dias turbulentos e confusos de hoje, antigos paradigmas estão sendo  quebrados em todas as frentes. Agora, a vitória está mesmo reservada aos ágeis sobre os lentos. E ai de quem estiver na inércia dos tempos antigos”.

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A quem contratar para trabalhar na sua empresa?

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

- “Você prefere um cavalo lento ou um rápido?”

- “Depende. Se você sabe aonde quer chegar, o cavalo rápido é o ideal.  Se não, melhor é o lento. Pelo menos vai demorar mais para se distanciar de onde se encontra agora.” 

Existem profissionais que seriam vitais e mudariam a sua empresa para melhor.   Não são os que simplesmente aceitam o que você diz só para não perder o emprego. Estes  são “letais”.

Conheço o gerente de vendas de uma empresa que concorda com tudo o que o diretor comanda. Mas ao virar as costas, não executa nada.

O vale isto? Ele de nada discorda, nada sugere e diz: “Sim, senhor!” Apenas finge e prossegue seu curso no “piloto automático”. 

Gente, o mercado está difícil de um tanto, que tem deixado confusos especialistas de renome. E cada vez mais.

Qualquer ação corporativa que não estiver focada no conhecimento do cliente e na superação da concorrência não terá sustentação.  

E quanto aos profissionais ideais para a sua empresa, sabe quem são? São pessoas que voluntariamente optaram por fazer algo importante em suas próprias vidas, e isso se tornou a missão pela qual eles pautam seu modo de ser. Estes sim compensa o investimento de contratá-los, e não aqueles “bananas” que fazem a sua vontade pura e simplesmente.

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Querem mesmo destruir a educação brasileira

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Um economista viajou pelo interior do país para avaliar a estratégia de educação dos municípios. Numa cidade média, marcou encontro com o secretário de educação.  Durante a conversa, perguntou qual era a média de filhos por família no município. O secretário respondeu:

- "Depende do casal. Tem famílias com média de dois filhos, tem famílias com média de três  e  eu conheço algumas até com média de quatro filhos".

É o que um secretário de educação respondeu.

O Brasil é um país interessante. E inconsistente também.

Eu me lembro da euforia de alguns anos passados pelos bons indicadores econômicos. Naquela época, os desequilíbrios que estão – e sempre estiveram – presentes na nossa sociedade eram camuflados. A deficiência na nossa educação já era e continua a ser um deles.

A qualidade da educação pública no Brasil é catastrófica. No momento em que a terceira revolução industrial ganha velocidade no mundo civilizado,  75% dos brasileiros são analfabetos funcionais e a produtividade nacional cresce menos de 1% ao ano. Isto não é tão vergonhoso quanto preocupante, especialmente porque  não mudará tão cedo.

A pergunta que fica é: até quando o brasileiro comum irá acreditar que distribuição de dinheiro pelo governo é a solução para o desenvolvimento do País?

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Saiba como melhorar a sua eficiência mental

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Por que é que muitas pessoas não conseguem aprender o que leem, o que ouvem, ou reter o que assistem na tevê ou numa palestra?

O mecanismo de aquisição de informações no ser humano é curioso. O que entra no cérebro através dos cinco sentidos é imediatamente comparado com registros já existentes.  O que não for compatível com o que há, será  automaticamente rejeitado de modo não muito diferente da descarga de um banheiro.  Não será deste modo caso o indivíduo  tenha forte interesse na informação ou dado frente ao qual está no momento.

Vamos explicar.

Todos nós temos algo parecido a uma biblioteca no nosso cérebro. Desde o nascimento até a  velhice esta biblioteca estará em expansão pelo acréscimo de novos itens cognitivos, como as experiências das quais  extraímos lições, o que estudamos e  lemos com foco, os sentimentos e sensações e tudo aquilo a que nos esforçamos para aprender. Assim se enriquecem os registros mentais.

Portanto, a facilidade de aquisição e retenção de novos conhecimentos e informações nada tem a ver com inteligência nata, mas com o esforço pela melhoria crescente da capacidade individual. E isso é fruto do interesse e do esforço.

O contrário também é verdade.

Supere a preguiça, o comodismo e a inércia se o seu desejo for tornar-se mais inteligente. Mesmo o mais lento dos lentos poderá alcançar a grandeza quando buscar conquistá-la com tamanha convicção e vontade que se esforce ao máximo  e chegue até a chorar por isso.

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Ser memorável... questão de vida ou morte!

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Você está trabalhando duro para fazer da sua empresa um negócio próspero. Tenho certeza. Mas se ela não tem nada de especial ou se parece com todas as outras, os seus lucros serão cada vez menores. É assim que as coisas são, hoje.

O principal atributo de sustentação de um negócio no mundo de hoje talvez seja a diferença, ou melhor: a capacidade de diferenciação. Não importa se você está em S. Paulo, Tel Aviv ou Hong Kong. A realidade mais real do que o rei é: faça diferente e melhor, ou você vai morrer!

O prazo de validade de tudo está cada vez mais curto... e o tempo passa rápido! Então:

- uma gestão mais consistente,

- resultados financeiros reais,

- conhecimento da concorrência,

- comprar melhor e vender melhor,

- fazer parcerias com base em valores mútuos e mensuráveis,

- surpreender e tratar o cliente com exclusividade,

- processos simples,

- engajamento dos funcionários à causa do negócio, 

são os elementos essenciais DA SUA ESTRATÉGIA e de qualquer outra empresa – independente do tamanho.

As alternativas? São duas. Ou a sua empresa é uma opção memorável, ou ela estará mais para o capítulo da novela de ontem,  que até as comadres fofoqueiras e carolas já esqueceram.

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De quem realmente foi a ideia? - Ética e direitos autorais

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

O Carlos conversava com um colega de trabalho que comentou sobre uma ideia de melhoria a um importante processo da empresa.

Dias depois, ele participava de uma reunião gerencial e apresentou aquela ideia sem mencionar a fonte. O diretor gostou do que ouviu, aprovou e depois de implementada, a ideia  produziu resultados interessantes, valendo uma promoção ao Carlos como reconhecimento.

Como você interpreta esta breve história corporativa?

Quando não mencionou o nome do autor da ideia, o Carlos deixou as pessoas pensarem que era sua. Isto se chama expropriação ou roubo!

Pessoas honestas não agem assim, apesar  de práticas similares já ser comuns e normais nas mídias sociais e no dia a dia  de muitos. Mas não é normal!

Você, caro leitor, cara leitora, deve saber que  direitos autorais são uma propriedade de quem criou ou desenvolveu seja lá o que for.

O Carlos foi aplaudido e premiado por algo que não lhe pertencia. Tarde ou cedo, a verdade o fará perder este falso mérito porque existe Justiça sobre tudo e todos – a despeito da cegueira e dos interesses da justiça humana.

E aqui vai o meu destaque: uma carreira profissional não pode fundar-se em atitudes dessa categoria. Tudo nesta vida tem limite – incluem-se aí os comandos “Ctrl C”  e  “Ctrl V”, conhecidos e profusamente usados por todos.

 
 

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Isto pode mudar o seu desempenho e o seu futuro

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

O sabe-tudo é o contrário do aprendiz.

O sabe-tudo é categórico, crítico, dogmático, irresponsável e arrogante. Pensa saber o tempo todo o que os outros devem fazer e não poupa críticas contra os que não fazem o que devem. Ele nunca tem culpa – os outros, sim. É um expectador por excelência. Não jogao jogo, por exemplo, mas assiste, e sente-se seguro para dar todos os palpites. Nada faz para que seu time de futebol ganhe, por exemplo. Mas responsabiliza os jogadores, o técnico, o juiz, os adversários, o clima, a sorte e tudo o que for possível se seu time perder.

O “aprendiz” é bem diferente. Trata-se de um sujeito consciente de que existem fatores fora de seu controle e é por isso que se concentra nas variáveis que ele mesmo pode modificar. A fonte de sua autoestima está no sucesso em longo prazo. Daí ele nunca buscar aquela típica gratificação imediata de “ter razão”.

Se um sabe-tudo e um aprendiz tomarem uma chuva e chegarem molhados ao escritório, o sabe-tudo dirá: “A chuva nos pegou de surpresa”. O aprendiz: “Eu não consultei a previsão do tempo e por isso nem pensei em trazer o guarda-chuva”.

O primeiro joga a culpa na chuva e se considera vítima das circunstâncias. O outro assume a responsabilidade de não ter-se informado e se enxerga como protagonista.

Espero que você reflita sobre as suas atitudes.  Em qual dos dois perfis você se enquadra?  Adote medidas para adequar-se ao comportamento protagonista. Seja sempre um “aprendiz” e prospere.

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O que buscar numa Negociação

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Eu li muitos livros sobre negociação e descobri que um dos grandes obstáculos psicológicos de qualquer negociador é o medo de “como o resultado irá afetar sua reputação”. Isto gera ansiedade e aumenta muito o risco de perdas.

[Ânsia por vencer] + [Medo de perder] = Confronto potencialmente desfavorável.

Como sair disto? 

1. Evite comentários otimistas antes da negociação, do tipo:

- “Hoje é a reunião sobre o cronograma de entrega do novo sistema. Eu garanto que vou conseguir o melhor”. 

De repente, o prestador dos serviços pode apresentar boas razões para não fazer o que a sua empresa quer, e você não contava com isso.  E agora? O que você dirá aos seus colegas?

2. Tenha a honradez de entrar na negociação desejando “resolver o problema a que ela se destina” e não "vencer seja lá O QUE ou QUEM". Não alimente interesse em arrasar o outro só para ter um sucesso para se gabar. Isso atrai mais inveja do que admiração. 

Atitude saudável é não comentar resultados de negociações em termos de VITÓRIA ou DERROTA.

Na verdade, o que mais construirá a sua boa imagem pública não são os louros de “o grande vencedor”, mas o atributo de ser o cara que resolve situações e cria soluções. Isto, sim, é  recompensa louvável... e saudável!

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O estranho modelo de liderança da Bíblia

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

A Bíblia é uma fantástica fonte de lições sobre liderança. Não só por ser o livro sagrado das principais religiões do Planeta, mas pela postura que vários dirigentes do povo Judeu assumiram ao longo de milênios de História e seus resultados.

A pergunta óbvia de quem deparou-se com as Sagradas Escrituras é: “Por que tantos líderes Judeus  foram pastores de ovelhas antes de dirigir o Povo?”

David, o segundo Rei de Israel e protótipo do Messias prometido, comenta em um de seus Salmos que, primeiro levava os cordeiros para comerem a relva macia, depois as ovelhas adultas para a relva mais dura e as mais velhas para a relva graúda. Esta dedicação e compaixão por cada animal mostrou que aquele jovem pastor reunia aptidões para conduzir sua nação.

Moises cuidava do rebanho do sogro, Jetro, quando uma cabra fugiu. Ele a seguiu e encontrou-a bebendo água. Então lhe disse: “Eu não sabia que sede levou-a a fugir. Você está cansada. Eu a carregarei de volta”.

Estes e outros homens mostravam sensibilidade e compreensão por seus rebanhos, sobretudo aos animais mais fracos. Eles conheciam os hábitos de cada um e os tratavam individualmente.

Ao longo de mais de trinta anos de atuação profissional, eu tenho visto propostas de formação de líderes que empregam competições, técnicas de sobrevivência em ambientes críticos e dinâmicas agressivas, além de inúteis aulas de doutrinação e diferentes formas de bla bla bla sem  qualquer efeito considerável.  A esse propósito caberia questionar: “Onde estão os líderes que saíram destes treinamentos? Para quê, de fato, servem já que não cumprem o que vendem e nada produzem senão rendimento financeiro a seus instrutores – que não são capazes de liderar nem a si próprios?”

A Bíblia é a fonte perfeita e pura da sabedoria verdadeira. Dela se aprende que líderes verdadeiros valem mais do que o ouro puro e são tão escassos quanto compassivos e sábios pastores de ovelhas. 

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As aparências enganam. Mas ninguém está nem aí...

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Se você fosse a um grande espetáculo de boxe e quisesse apostar, decerto optaria pelo pugilista com cara de mau. O senso comum lhe faria acreditar que ele irá combater sem piedade até vencer.

De maneira geral, a sociedade estabeleceu uma correspondência direta entre ‘ser’ e ‘parecer’. Eu vejo mesmo pessoas de altos princípios cederem a esta inversão.

Então, eu lhe pergunto:

- “O que realmente vale? Ser ou parecer?”

Quando Albert Einstein foi surpreendido por um fotógrafo que lhe solicitou uma pose, pôs a língua para fora. Desde então aquela foto tornou-se o estereótipo do gênio. Certo dia, o próprio Einstein expressou sua indignação com isso: “Não sei por que todos me adoram se ninguém entende as minhas idéias”. 

E se naquela luta o pugilista com cara de bonzinho vencer? O que será do senso comum?

O executivo de terno e gravata, sapatos de cromo e relógio de R$ 20 mil pode não ser eficiente como parece. Ao final, talvez o que melhor ele faz é aproveitar-se do desempenho de outros e fingir bem.  Mas, as pessoas que o julgam pela roupa dificilmente saberão disso porque apegam-se ao que parece, e não ao que é.

Voltemos à pergunta original:

- “O que realmente vale? Ser ou parecer?”

A resposta está no livro O Pequeno Príncipe. "O essencial é invisível aos olhos". Essencial é o conteúdo. A roupa e a pose de nada servem quando o que vale, de fato, é o ser.

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Eu quero a minha privacidade. Você quer a sua?

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

A falta de privacidade já é uma endemia – com incidência significativa na população. Ter um perfil aberto nas redes sociais, mostrar preferências, gostos, interesses e fotos pessoais é quase obrigatório. Todos já se comportam como se tudo tivesse de ser revelado. Mas há um porém nisso. Cada um de nós possui situações privadas. E direito a elas.

Ainda que muitos não concordem, para mim a  essência de cada ser humano deve ficar guardada e nunca exibida por aí. Afinal,  os valores de cada um são diferentes dos demais. O que vale para mim pode nada valer para você. E vice-versa. 

Um mendigo lhe pede esmola na rua. Você diz a ele:

- “Por que você não arruma um emprego?”.

Isto é uma clara invasão de privacidade. Analise e você compreenderá. Ele tem fome ou qualquer outra necessidade, e lhe pede um auxílio. O seu problema restringe-se a dar ou não a ajuda que ele solicita, e não discutir se ele deve trabalhar.

Precisamos entender que espiar ou invadir a privacidade de alguém não aproxima. Ao contrário, pode inclusive distanciar mais. E se ele ou ela não quiser revelar algo de si, forçar usando emoções ou outros meios é drasticamente errado.

Respeite a privacidade dos demais. Só deste modo você terá direito à sua.

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O QUE OS OLHOS NÃO VEEM...

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal profissão Atitude

O aroma interior de uma loja pode influenciar o cliente. O som também.  Porém, nada é tão imediato e penetrante quanto a visão.

Quem nunca ouviu que “é preciso ver para crer”?

Visão é o sentido com maior poder sobre as nossas crenças e convicções. Você pode cheirar, ouvir, tocar, degustar, mas tudo não terrá qualquer significado até obter a visão clara, iluminada e colorida. Ao ver, você tende a acreditar – até mesmo se o que vir não for verdadeiro.

Por isso as propagandas influenciam. Mesmo aquelas que buscam só vender mais – e não educar o consumidor sobre, por exemplo, os benefícios do produto.

Assim foi a guerra dos sabões em pó nos anos 1980 e 90. Cada marca queria provar que lavava mais branco e melhor. Como faziam isso? Demonstrações visuais. As pessoas compravam impulsionadas por aquelas demonstrações televisivas.   Acreditavam no que viam.

Muitas ilusões visuais são subconscientes e sobre elas não temos domínio ou discernimento.  No entanto, o simples fato de vê-las, nos convence ou comove.

De fato. A natureza humana tem um funcionamento no mínimo interessante.  Uma prova? “O que os olhos não veem o coração não sente”.

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NEM VOCÊ E NEM EU PRECISAMOS DE PLATITUDE

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Platitude é uma palavra interessante e pouco usada. Significa “truísmo, algo banal, trivial e dispensável”.

É o caso de uma revista editada por uma empresa contando as coisas mais particulares  de seu ambiente interno. Acredito que o intuito seja promover as ações positivas que empreendem entre os funcionários. A tiragem é enorme. Mas a coisa é tão própria deles que, pra mim –  e, imagino, para a grande maioria dos que a recebem –, acaba sendo... platitude.

Essa tal de platitude está presente em muitass das declarações que se ouvem no ambiente corporativo de todos os tamanhos e segmentos. Um dos clássicos é:

- “Precisamos discutir a necessidade de uma pesquisa de satisfação entre os nossos clientes”.

Outro:

- “A nossa empresa é inovadora porque investe em treinamento dos colaboradores”.

Mais um:

-“Vamos analisar a necessidade de padronizar os nossos processos para atender melhor o mercado”.

Olhe. Treinar, padronizar, controlar, nada disso é situação a ser discutida em altas reuniões ou encontros formais. Seria platitude e total perda de tempo. 

Atribuições básicas e responsabilidades mínimas são obrigatórias.  Não cabe discutir. Têm de ser efetivadas e pronto! Assim: custos precisam ser revistos, carteira de clientes melhorada,  salários alinhados ao mercado, processos padronizados etc, tal como você e eu precisamos de alimento e água.

Mas parece que quem não tem o que fazer adora promover reuniões para discutir platitudes. Ah! Você sabe muito bem disso.  E se depois de tudo eu prosseguir falando, será, sem dúvida, platitude!

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PARADOXOS

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

“Numa cidadezinha, todos os dias um barbeiro faz a barba de todos os homens que não se barbeiam a si próprios, e de mais ninguém”.

Este é o famoso Paradoxo do Barbeiro.

Para quem ainda não sabe, paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que contém uma contradição às vezes muito sutil.

Imagine uma empresa familiar em que os membros da família que são executivos e trabalham no negócio querem reinvestir os lucros na própria empresa, enquanto os acionistas da família que não trabalham querem receber dividendos cada vez mais altos. Este é um paradoxo em que a decisão de excluir um e ficar com o outro não traria paz e nem seria a solução adequada.

Nelson Rodrigues, o teatrólogo e jornalista brasileiro, disse: “Toda unanimidade é burra”. Muita gente citar isto como demonstração de cultura. Mas ninguém pensa que, no momento em que todos concordarem com o contexto da frase ou mesmo com sua beleza, estarão sendo unânimes e, portanto, burros.

Voltando ao Paradoxo do Barbeiro, se você pensar melhor sobre ele, concluirá que se o tal barbeiro não faz a própria barba,  então ele teria de fazer a barba a si mesmo. Contudo, se ele se auto-barbear, de acordo com a regra, ele estará impedido de se barbear. Portanto, este paradoxo é impossível.  

Por outro lado, os paradoxox das empresas familiares têm solução possível. E depende de planejamento e da experiência de profissionais que sabem quais são e como implantá-las.

Não delongue a decisão de facilitar a perenidade dos seus negócios, contrate profissionais que lhe ajudem a superar todos os paradoxos e dificuldades que surgirem.

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UM GERENTE COMO QUASE NINGUÉM JAMAIS VIU

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Perguntei ao gerente de uma concessionária de veículos como ele encara as eventuais reclamações de clientes. E ele:

- “Se o cliente reclamou, é porque pretende continuar comprando de nós e usando os nossos serviços. Eu resolvo o problema, pergunto o que ele achou e depois agradeço. Se ele não reclamasse, ficaria insatisfeito, acabaria procurando outro fornecedor, e falaria mal de nós para o mundo. Por isso, eu digo ‘obrigado’ por ter reclamado”.

Louvado seja este gerente inteligente e humildade –  oposto de tantos que se acham perfeitos e nunca admitem razão ao cliente.

Há uma fábula sobre a prepotência.

Conta-se que dois galos disputavam, numa luta feroz, o direito de comando do galinheiro de um sítio. Por fim, um pôs o outro para correr. O galo derrotado afastou-se e se recolheu num lugar sossegado.

O vencedor voou até o alto de uma cerca, bateu as asas e, exultante, cantou com toda sua força.

Uma águia que pairava ali perto, lançou-se sobre ele e com um bote certeiro levou-o preso em suas poderosas garras.

Então o galo derrotado saiu de seu canto, e dali em diante reinou absoluto, livre de disputa.

Sim.  Orgulho é desgraça. E também perda clientes e vendas.

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OS TREINAMENTOS MAIS CHATOS DO MUNDO

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Qual é a utilidade de tantas porcarias que recebem o nome de treinamentos em algumas empresas e que,  em lugar de desenvolver os participantes, acabam deixando o desagradável e amargo sabor em cada um de estar de volta ao jardim de infância?

Dia desses, um empresário contou-me que o RH de sua empresa abre espaço para colegas e amigos desempregados ou fracassados na carreira para promoverem treinamentos eventuais. E concluiu dizendo: “E como esses fulanos são todos incompetentes, a atividade fica sem nenhum sentido para os funcionários porque os leva do nada para lugar nenhum.”

Orçamentos gordos são gastos em treinamentos do tipo A.N.T.A. – abreviatura de  Amontoado Nulo de Técnicas Avulsas.

Treinamento sério tem necessariamente que ser planejado após rigoroso Levantamento de Necessidades – técnicas, profissionais ou comportamentais – de todas as áreas da organização. Isto, contudo, requer que o responsável pelo RH conheça e entenda a estratégia da empresa e saiba discernir o que atende ou não seus principais pontos. Ele deve saber falar a linguagem dos negócios de sua organização. E aqui cabe perguntar: Quantos dos que aí estão realmente sabem? O da sua empresa, por exemplo.

Permita-me um conselho: corte relações com consultorias, coachings e outros serviços cujas propostas não atendam ao que a sua empresa realmente carece para fazer negócios. E mesmo em caso de aparente sintonia deste  profissional com as suas atividades, averigue sua real qualificação e resultados já alcançados antes de decidir abrir-lhe espaço.

Em tempos de mídias sociais em que quase nada do que se vê ou ouve é verdadeiro e as pessoas se preocupam em ostentar falsas exterioridades, o volume de gente despreparada e bem vestida que tem como alvo o orçamento de Treinamento e Desenvolvimento das empresas é assustador.  Cuide-se, pois, como o canto da sereia,  o que eles têm de melhor é um discurso convincente.

Hoje em dia, o RH que não for estratégico não merece nem o adjetivo de romântico. Anti-negócios talvez lhe caia perfeitamente.  

 
 

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A SOLUÇÃO DEFINITIVA PARA AS DISCUSSÕES ENTRE MARIDO E MULHER

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Alguma vez você entrou numa discussão com alguém e acabou questionando-se por que se transformou em um campo de batalha emocional? Eu sim. Várias vezes, infelizmente.

Um amigo veio pedir-me conselhos. Disse que precisava de uma conversa com sua esposa e que tinha tudo para virar um tsunami. Pedia dicas para garantir boa comunicação e evitar explosões.

Eu lhe fiz saber que não sou a pessoa certa para isto. Aliás não tenho  lá grandes resultados nesta área. Mas persigo algumas diretrizes que potencialmente seriam úteis para ele. São pensamentos óbvios e simples que, talvez por estas razões, sejam facilmente esquecidos. Eu os colecionei ao longo de anos e anos de insucessos na comunicação em várias áreas da vida, não só no relacionamento conjugal.

Atualmente, a minha premissa básica para que estas diretrizes funcionem é:

“Não busque jamais vencer uma discussão com a sua mulher/marido. Um casamento é a união de duas pessoas em uma nova e única entidade. Se parte dela atuar causando uma ferida, ambos acabarão sofrendo.”

Certa vez, alguém mencionou que a razão dele ter mudado sua maneira de comunicar-se com a esposa foi ter ouvido alguém declarar: “Se você entrar numa discussão com ela e vencer, então estará casado com uma derrotada. É isso o que você quer?”

 

COMO TER UMA CONVERSA PRODUTIVA E AGRADÁVEL COM O SEU CÔNJUGE

 

1. Ouça. Muitas vezes as pessoas só precisam ser ouvidas e saber que nós nos preocupamos com o que elas sentem e pensam. Quanto mais ouvirmos e menos falarmos, melhor será o resultado.

2. Não interrompa. Deixe a outra pessoa terminar seu pensamento até a conclusão. Não tome uma pausa como uma oportunidade de entrar e responder.

3. Não levante a voz. Mantenha o tom suave. Vozes elevadas é gasolina na fogueira. O Rei Salomão disse: "Uma resposta suave desvia a fúria, mas uma palavra infeliz provoca a ira" (Provérbios 15:1). Sugiro um sistema de sinais entre os dois. Se um dos dois se esquecer e começar a gritar, o outro irá colocar a mão sobre a testa ou no topo de sua própria cabeça como um lembrete suave e gentil de que ambos concordaram em não levantar a voz.

4. Se você quiser demonstrar o seu ponto de vista, faça-o com uma pergunta e não como uma afirmação. Por exemplo, se você quer que o seu cônjuge pare de gritar com você, pergunte: "Como você se sente quando eu grito com você?" Após ele/ela responder, pergunte: "E como você acha que eu me sinto quando você grita comigo? Existe alguma maneira com que possamos nos comunicar sem gritar?"

5. Não acuse. Nós todos nos protegemos. E achamos que o que fazemos é e está certo. Acusações são desconfortáveis, irritantes e “inflamáveis”. Você não gosta de ser acusado. Nem o seu cônjuge.

6. Saiba que a questão em discussão nem sempre é a mais fundamental. Seu cônjuge pode estar irritado porque você não colocou a tampa de volta na pasta de dentes. Mas a verdadeira questão que está 'cozinhando' é que você disse que ligaria três dias atrás e se esqueceu.

7. Repita o que o seu cônjuge disse para ter certeza de que entendeu. "Eu ouvi você dizer que..."

8. Peça sugestões para resolver o problema. "Quais são os seus pensamentos sobre o que podemos fazer para consertar isso?" Nós todos queremos ser ouvidos e levados a sério. Não queremos ouvir um ‘discurso de horário político gratuito’ ou ter gente exigindo o tempo todo que mudemos o nosso modo de ser. Já temos problemas suficientes para mudar a nós mesmos. Será que realmente pensamos de modo tão arrogante de que iremos mudar os outros até que sejam como queremos?

9. Lembre-se sempre: dentre os bilhões de pessoas deste planeta, você escolheu esta pessoa para ser o seu cônjuge. Há uma razão. Ela tem qualidades maravilhosas. Foque-se sobre elas e você verá o amor e o apreço crescerem. Amor é o prazer que se tem em descobrir o lado positivo do outro. Felicidade é focar no que temos. A fórmula para a miséria, por outro lado, é tão simples quanto. Sabe qual? Olhe para o lado negativo e para o que você não tem.

Temos o livre arbítrio para fazer escolhas de como nos comportamos ou em que nos concentramos. Qual poderia ser a área mais importante a colocar o seu foco do que em ter um relacionamento amoroso e pacífico com seu cônjuge?

Mas você e eu podemos ir muito mais longe.

Se você vir as falhas de alguém dependuradas como uma etiqueta de tamanho grande em seu pescoço, e realmente quiser ajudá-lo – seja um amigo, o seu cônjuge, filho, ou mesmo a sua nêmesis – não diga uma só palavra sobre o que você viu de errado.

Encontre algo maravilhoso sobre ele/ela, algo que talvez nunca alguém tenha mencionado. Fale sobre isso para si mesmo e depois para aqueles que, ao ouvir, sentirão simpatia por ele/ela. Em muito pouco tempo, você verá nele/nela uma pessoa nova. E sabe o que? Você passará a acreditar que é um fabricante de maravilhas. Eu, porém, lhe digo: - “Não há nada de mais! Porque na verdade, todos nós somos isso mesmo: fabricantes de maravilhas... basta querer!”

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COMO DESENVOLVER UMA NOVA COMPETÊNCIA PESSOAL OU PROFISSIONAL

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

O jovem engenheiro que trabalhava na pequena indústria mecânica em fase de pleno crescimento procurou-me para uma situação frente à qual se sentia desorientado.

- “Sr Shapiro, eu fui promovido a gerente e o meu diretor disse-me que devo desenvolver a competência da agilidade. Eu não faço a mínima ideia por onde começar!”

- “Eu posso lhe ajudar” – disse a ele. “Mas antes, quero explicar alguns pontos, se você me permite.”

- “Sim, é claro. Eu preciso muito” – disse ele mostrando interesse.

- “Comecemos pelo que você acaba de dizer: ‘Eu preciso muito’. No dicionário, ‘precisar’ e ‘necessitar’ são sinônimos. Na prática não é bem assim. Eu preciso de um pente para pentear os cabelos. Eu preciso de uma calculadora. Eu preciso de um relógio, de ouvir música, de uma poltrona confortável para leitura. No entanto, eu necessito de tomar água, necessito me alimentar,  necessito de ter fé, necessito de aperfeiçoar a minha personalidade, necessito do amor das pessoas com quem convivo etc. Você entende?

- “Acho que entendo, sim. Precisar é bem menos que necessitar”.

- “Bem menos não posso afirmar. Mas diferente, sim” – eu respondi. “Para entender competências é definitivo ter visão de que elas são uma necessidade humana. Sem competências não há desenvolvimento da personalidade e, portanto, não há evolução ou autodesenvolvimento.

Se você não sabe o que é a personalidade, darei uma ideia simplificada e nada técnica. A nossa personalidade é um retrato de quem somos, ou melhor, ‘do que somos’ e ‘como somos’. É o conjunto das qualidades que definem o nosso modo único e original de ser. Tudo o que faz parte desse conjunto de características é muito fácil de desempenhar ou expressar. Eu, por exemplo,  sinto-me bem quando dou reconhecimento às pessoas. Isto é fácil para mim. Sabe por que? É um traço da minha personalidade.

O Francisco, meu amigo, é diplomático. Esta característica intrínseca de sua personalidade vem junto de outras que todo mundo observa nele: tolerância, paciência, bom trato às pessoas. Então, dizemos que isto é natural no Francisco. Ele manifesta estas qualidades sem nenhum esforço.

Já, outra característica, digamos: a capacidade de exercer controle sobre os membros de sua equipe não é um traço forte ou intensamente presente na personalidade do Francisco. Mas acontece que ele é um gerente e uma de suas funções é controlar as pessoas sempre que a situação exige. Como ele faz? Ele aprendeu o método de como controlar e investe algum esforço em executá-lo, uma vez que ‘controle’ não é um traço natural de sua personalidade. Sempre que isso acontece, dizemos tratar-se de um traço situacional de personalidade, porque a pessoa o expressa não naturalmente, porém apenas quando as situações exigem.

E agora, olhemos outra característica do meu amigo Francisco. Eu sei que ele não é uma pessoa ambiciosa, isto é, ‘ambição’ no sentido de ‘insatisfação com sua situação atual e o desejo de promover mudanças para melhor. Daí ser esta uma competência muito distante de seus traços naturais. Na verdade é como um ponto fora da curva das características principais dele. Assim, caso ele deseje tornar-se mais ambicioso, ele deverá investir um esforço relativamente grande para adquirir esta competência. Por causa dessa força que é preciso ser feita para a aquisição deste traço de personalidade que não lhe é natural e nem situacional, dizemos que a ambição é uma competência ‘atitudinal’ no Francisco, pois exige atitude, ou grande esforço.

Olhemos para o seu caso agora. Você necessita ser ágil, não?”

-  “Sim. E agora quero usar o verbo certo: eu necessito ter agilidade,” – o jovem engenheiro respondeu, convicto.

Eu prossegui:

- “Tenho quase certeza de que o seu líder na empresa tenha constatado algum traço de lentidão em você, seja nas suas ações, seja nas decisões. A pergunta a ser feita aqui é: ‘Como desenvolver uma nova competência?’, ou melhor: ‘Como desenvolver uma competência que não é natural e nem situacional entre os traços predominantes da sua personalidade?’

Eu conheço um método. E vou mostrá-lo a você passo a passo. Vamos e ele:

PASSO 1: CONSCIÊNCIA. O primeiro passo é TER CONSCIÊNCIA DA SUA NECESSIDADE. Enquanto você não enxergar a competência a ser desenvolvida com os olhos da necessidade, nada acontecerá. Absolutamente ninguém, em todo o planeta Terra, tem o poder de fazer outro ser humano querer algo. Quando você tiver vontade poderosa e resoluta, este será o sinal de que a sua consciência já aceitou a competência que você ainda não tem e o processo de “aquisição” já iniciou. A partir de então será mais fácil.

Mas ainda faltam os demais passos.”

- “Não parece difícil”, o rapaz disse mostrando certa segurança.

- “E não é”, coloquei de pronto, “desde que se queira muito, e não poupe esforço.”

E continuei:

PASSO 2: CONCEITO. “O segundo passo compreende uma ação com que poucos se preocupam e por isso não logram sucesso em conquistar a nova competência. É a chave de acesso inteligente à meta. Consiste em CONCEITUAR A COMPETÊNCIA, isto é, conhecer seu significado, mas ainda de modo genérico. Nesse estágio você deverá pesquisar sobre as várias facetas do que ela é, ler livros a respeito, artigos e conhecer seus vários atributos e benefícios. 

Por que é importante conceituar?

Certa vez, um jovem gerente me disse necessitar da competência de ‘Gestão do Tempo’. Eu lhe perguntei o que exatamente ele esperava conseguir com isso. Ele começou falando que gostaria de ‘fazer muitas coisas ao mesmo tempo’. Eu lhe mostrei que isto não é bom, a menos que ele fosse trabalhar como malabarista em um circo. Então, ele emendou dizendo que se tratava realmente de aprender a ‘fazer primeiro o que tem que ser feito primeiro’ e depois o que viesse depois.  Pronto. Ficou claro. Eu lhe mostrei que isso pouco ou nada tem a ver com gestão do tempo, mas com ‘critérios de priorização’.  Enfim, se ele tivesse feito o que achava ser sua necessidade, teria perdido tempo. É absoluto que se conceitue o que se deseja antes de agir.

Quantas vezes usamos palavras ou verbos sem saber seu significado? Até por força de seu emprego repetitivo nos meios sociais que frequentamos.  Por isso é importante usar um bom dicionário, o Google e os demais recursos disponíveis para conhecer a palavra.

PASSO 3: ADEQUAÇÃO DO CONCEITO. Chegamos agora ao passo da ADEQUAÇÃO DO CONCEITO. É a terceira etapa do processo. O que acontece aí?  Tomemos o exemplo de uma competência chamada ‘senso de urgência’, cujo significado é ‘executar o mais rápido possível uma prioridade’. Após saber seu conceito geral, você agora terá condições de entender que o senso de urgência em atendimento num pronto socorro de um hospital é drasticamente diferente do senso de urgência numa oficina mecânica. Essencialmente, em ambos locais a competência terá a mesma natureza. Porém, seu exercício prático deverá se manifestar de modo diferente na oficina ou no hospital, concorda?”

Ele balançou a cabeça afirmativamente, compenetrado. E eu avancei na explicação.

- “Portanto, concluímos que no estágio da Adequação do Conceito você deve ajustar o significado de ‘ser ágil’ à sua vida e ao seu trabalho a fim de que não tenha a tendência de exagero ou de falta, mas tenha o ponto de equilíbrio que a sua função carece. E para fazê-lo da melhor maneira, aconselho que você retorne ao seu líder e pergunte objetivamente como ele gostaria que você aplicasse a agilidade no novo posto que você irá ocupar. E depois que ele disse – e você entender claramente –, estará pronto para o próximo passo.

PASSO 4: ESFORÇO.  Chegou o momento em que você começará a pôr a consciência e os conhecimentos adquiridos para funcionarem plenamente. Como? Lembrando-se o tempo todo de que você foi lento e agora precisa desenvolver a agilidade requerida pela nova função... e investindo energia em viver o conceito e sua adequação.  Talvez uma ilustração ajude o seu entendimento.

Imagine que você está no seu carro, dirigindo tranquilo. Olha para os lados, mantém a velocidade e observa coisas que chamam a sua atenção. Subitamente, o veículo à sua frente freia. Sem tempo de resposta, o seu carro bate na traseira dele. Você e o outro motorista descem e constatam não ter havido dano material algum. Cumprimentam-se com cortesia e se vão. Foi só um susto.

Uma mudança muito grande vai ocorrer a partir de então. Você ficará mais atento e cuidadoso, mais  ‘ligado’. Não dará mais atenção ao que antes concorria com o fluxo do trânsito. Deste momento em diante, as suas chances de provocar um novo acidente serão muito baixas, próximas de zero. Por quê? A resposta é: aquele acidente recente despertou a sua consciência para tudo o que você devia praticar em segurança e direção defensiva, mas desprezava.

Portanto, se você necessita tornar-se mais ágil, a partir de agora deverá esforçar-se para ser assim a cada instante em que houver oportunidade.  No princípio, poderá até ser um tanto estressante devido ao esforço de consciência e de ação. Mas com o tempo e com a prática, ‘agilidade’ será incorporada aos seus hábitos e se tornará uma aquisição para sempre, uma propriedade sua, um traço natural da sua personalidade.

O esforço é a porta que dá acesso a todas as possibilidades de conquista.

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A ESTRATÉGIA DOS CINCO PORQUÊS

ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Problemas teimosos e recorrentes. Eles são sintomas de causas profundas. E apesar do talento de algumas pessoas em darem a eles “solução rápida” ao bom e velho estilo nacional da “gambiarra”, na prática, estas soluções relâmpagos não passam de medidas paliativas que, além de não eliminá-los, na maioria das vezes só os agravam mais. Não é o que gente séria deseja fazer. E, convenhamos, é nada profissional, concorda?

A sabedoria ensinada pela medicina aos gestores de empresas diz: “Não trate sintomas. A causa é que precisa ser atacada para que o paciente seja curado”.

Um dos pais da revolução industrial japonesa e fundador da indústria de automóveis Toyota, foi Sakichi Toyoda.

Por volta de 1930, ele desenvolveu uma ferramenta de gestão simples, mas poderosa chamada “A Estratégia dos Cinco Porquês”.  Ela se resume da seguinte forma:

“Quando ocorre um problema, pergunte ‘por que’ cinco vezes para tentar encontrar a fonte deste problema, ou sua raiz. Em seguida, atue na fonte do problema para eliminá-lo de forma definitiva, prevenindo que ocorra novamente”.

Este conceito é usado até hoje como parte do Toyota Production System, um modelo de produção enxuto e mundialmente reconhecido por ser quase 100% anti-desperdício.

 

1.“A ESTRATÉGIA DOS CINCO PORQUÊS” NA PRÁTICA

Quando um problema ocorre, você descobre sua natureza e origem perguntando "por que?" nada menos do que cinco vezes.

Vejamos um exemplo.

Suponha que o veículo da empresa, que está sob cuidado de um vendedor, não dá a partida.

O gerente faz a ele a primeira pergunta:

- Por que o carro não dá a partida?

A resposta do vendedor:

- A bateria morreu.

E a 2ª pergunta

- E por que a bateria morreu?

O vendedor:

-Porque o alternador não funcionou.

O gerente vai para a 3ª questão.

- E por que o alternador não funcionou?

E o vendedor:

-Porque a correia do alternador quebrou.

E vem o 4º. porque do gerente:

- Por que a correia do alternador quebrou?

A resposta do vendedor:

- A correia do alternador foi muito além de sua vida útil, e nunca foi substituída.

Então a 5ª pergunta:

- E por que a correia não foi substituída?

O vendedor agora responde:

- Porque a manutenção do veículo não foi feita de acordo com o plano recomendado pelo fabricante.

E chegamos, assim, à causa raiz.

Pense no que aconteceria se não conhecêssemos a raiz deste problema. A manutenção preventiva nunca seria feita. Além dos riscos a que o vendedor estava exposto, a vida útil do carro reduziria muito.

 

2. QUANDO USAR “A ESTRATÉGIA DOS CINCO PORQUÊS”? 

E quando usar essa estratégia? Em qualquer situação? Ela não foi criada para todas as situações. “A Estratégia dos Cinco Porquês” ajuda na solução de problemas simples ou moderadamente difíceis. Para problemas mais complexos ou críticos a análise deve ser feita levando em conta visões mais profundas.

Para a estratégia dar certo, cada vez que você perguntar "por que?" é preciso que a resposta seja fundamentada na verdade, ou seja, em fatos reais ou ocorrências verdadeiras, e não em suposições daquilo que devia ter acontecido.

Note que a última resposta aponta quase sempre para um “processo”. E aqui vem um dos aspectos mais importantes da estratégia dos 5 porquês: a verdadeira causa raiz deve apontar para um processo que não está funcionando bem ou que talvez não exista.

Ou seja, na empresa os problemas ocorrem ou porque o processo em que eles ocorrem não está funcionando bem ou não existe processo.

Um funcionário não treinado poderá julgar que as respostas aos 5 porquês tendem a apontar sempre no sentido das situações clássicas como:

- falta de tempo,

- pouco investimento ou

- mão de obra insuficiente.

Estas respostas podem até ser verdadeiras e concernentes ao problema. Mas são situações fora do controle para se chegar à solução. Por isso, em vez de perguntar “por que?” para as situações de tempo, investimento e mão de obra, concentre-se exclusivamente nas falhas de processo. A estratégia diz:

“Antes de pensar que as pessoas falham, tenha em mente que os processos é que falham quando não são desempenhados corretamente. Portanto, a sua missão é determinar um processo e treinar pessoas para desempenhá-lo o mais perfeitamente possível”.

Isto é mais elevado, causa menos conflitos e resulta em maior produtividade.

 

3. O QUE SE OBTÉM AO EMPREGAR “A ESTRATÉGIA DOS CINCO PORQUÊS”

A sequência dos cinco porquês nem sempre chega a uma resposta final que representa uma solução exata do problema. Antes disso, ela produz o que se chama de “contramedida”, ou seja, uma ação ou um conjunto de ações que visa prevenir que o problema volte a acontecer.

 

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